Esses livros não podem faltar nos arquivos de um blog que tem o objetivo de oferecer uma singela contribuição no conhecimento e construção de identidade das pessoas. É uma coleção rica, optei em tirar informações dela para construir essa postagem.
Imagem do Ministério da Educação
"...a coleção História Geral da África é um grande marco no processo de reconhecimento do patrimônio cultural da África, pois ela permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrônica e objetiva, obtida de dentro do continente..." Trecho tirado do site da Unesco.
"A África tem uma história. Já foi o tempo em que nos mapas-múndi e portulanos, sobre grandes espaços, representando esse continente então marginal e servil, havia uma frase lapidar que resumia o conhecimento dos sábios a respeito dele e que, no fundo, soava também como um álibi: “Ibi sunt leones”. Aí existem leões. Depois dos leões, foram descobertas as minas, grandes fontes de lucro, e as “tribos indígenas” que eram suas proprietárias, mas que foram incorporadas às minas como propriedades das nações colonizadoras. Mais tarde, depois das tribos indígenas, chegou a vez dos povos impacientes
com opressão, cujos pulsos já batiam no ritmo febril das lutas pela liberdade.
Com efeito, a história da África, como a de toda a humanidade, é a história
de uma tomada de consciência". Joseph K. Zerbo, Coleção História Geral da África.
Os livros estão em pdf, fonte de download segura (site da Unesco), basta clicar e salvar.
História Geral da África - I
Metodologia e pré-história da África.
Pré-história.
"...É preciso reconstruir o cenário verdadeiro. É tempo de modificar o
discurso. Se são esses os objetivos e o porquê desta iniciativa, o como – ou seja,
a metodologia – é, como sempre, muito mais penoso... "Joseph K. Zerbo. Trecho do livro.
No dia 09/01/2003, foi sancionada a lei que incluía com obrigatoriedade o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira. Ela entrou no currículo oficial, alterando a lei 9394/96. Depois a lei foi alterada e passou a ser obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena, lei 11.645/08. Mas o ensino afro encontra mais resistência. O que entristece é que a maioria dos professores de todos os segmentos não estão cumprindo. A lei já vai fazer 13 anos em janeiro e tem gente dizendo que é novidade. Alguns alegam que "não encontram material" (a internet está lotada, criem desculpas melhores) e outros não encontram a utilidade.
Para os que não encontram "utilidade" vou relembrar uma história velha. Quando os portugueses chegaram aqui, encontraram os índios e, a partir das primeiras instalações das lavouras de cana-de-açúcar, em 1530, começaram a trazer os primeiros negros, precisavam de mão de obra. Enfim, os brasileiros passaram a existir com a união de três povos. europeu, indígena e africano. Esses três povos e suas culturas formaram o que somos hoje: brasileiros.
Já ouvi outras desculpas como "temos japoneses, italianos, espanhóis, holandeses e vários outros povos aqui, então temos que ter uma lei pra cada povo". As perguntas a seguir ajudam a refletir na resposta: Eles formaram o que hoje é o povo brasileiro? Correspondem à nossa verdadeira origem? A resposta é não. Quando chegaram aqui, o brasileiro já existia. Alguns até influenciaram nosso povo, mas ao já formado povo brasileiro. E mesmo assim aprendemos sobre eles também, o conteúdo é bem pequeno, mas ainda é maior do que aprendemos sobre as histórias indígena e africana, que são as nossas origens.
Ouvi também a falácia "Não tem nada de importante lá na África". Os que dizem isso não conhecem nada sobre e formaram uma opinião sem embasamento teórico algum. Se tivessem, pelo menos um pouquinho, saberiam que os egípcios não eram brancos . Saberiam que o continente africano já tinha sua história há muitos séculos antes dos portugueses chegarem lá. Para todos os que compartilham dessa opinião, vale muito a pena assistir ao vídeo "Os perigos de uma história única" com a escritora nigeriana Chimamanda Adichie. Viu só, já aprendeu que na Nigéria, país do continente África, tem escritores (rsrs).
O povo brasileiro adora repetir as frases "no Brasil não existem pretos nem brancos, somos todos miscigenados", "a única raça que existe é a humana", "somos todos iguais". Essas frases costumam provocar irritação em algumas pessoas e não é por não concordarem com elas, e sim porque se realmente fosse uma verdade que fizesse parte do nosso cotidiano não seria necessária uma lei obrigando que ensinem a história e cultura de 2/3 da composição de um povo e não teríamos PROFESSORES se recusando ou fingindo não saber ensinar. São frases fantasiosas, ditas por quem não quer assumir que ignora a história de um povo e que no dia a dia não vê a diversidade de forma muito harmoniosa.
Na escola só aprendemos sobre a cultura européia, a dos índios somente dia 19/04 e muito mal explicada, cheia de estereótipos. Da cultura africana, aprendemos a libertação dos escravos e sobre Zumbi, sempre acompanhadas de muitas tentativas de descrédito, ou seja, não aprendemos nada sobre o povo brasileiro. Pensando em nossa harmonia como um povo, já ouvi um homem dizer: "eu não sou preto (de fato, não era), nem vim da África, não quero aprender sobre isso!". Mas ele é brasileiro e não percebeu que aprendeu somente sobre Portugal e outros países da Europa. E como brasileiro deveria saber sobre todo o povo brasileiro. E querendo ir mais além, onde está o "somos todos humanos e miscigenados"?
Tem também os professores preconceituosos, que dizem que não podem ensinar sobre cultura africana, pois sua religião não permite. Dizem que é "macumba". Já começam mal, pois macumba é um instrumento musical, e os nomes das religiões de origem africana são Candomblé e Umbanda. Esses professores terão ou têm, alunos com religiões diversas e precisam aprender a respeitar a religião do outro. Esse desprezo pelo outro vindo deles, contribui com a intolerância religiosa também entre os alunos. O preconceito impede a busca da informação, e faz com que não percebam que o ensino de história africana e afro-brasileira que a lei determina não é sobre religião. Não sabem que existem literatura africana, filosofia africana, pré-história africana, geografia africana, arte africana... Professor (a) por favor, menos! Pesquisar, aprender para ensinar faz parte da profissão.
Princesa Sikhanyiso
Não só o ensino é afetado. Além de negar aos alunos essas informações, esse tipo de negligência causa transtornos de identidade e baixa autoestima nas crianças negras.
Quando fazia estágio, ouvi a conversa abaixo:
Criança: - Professora, existe princesa igual a mim?
Professora: - Não, menina. Não disse que os negros eram escravos? Como que escrava vai ser princesa?
Criança: - Ah, tá! (acompanhada de uma carinha de decepção e constrangimento pela risada das amiguinhas).
Será que se essa criança tivesse uma professora realmente comprometida com o ensino, ela teria essa frustração? Se a professora tivesse interesse em aprender para ensinar, saberia explicar para a criança que na África teve e tem princesas iguais a ela.
(Foto: Princesa Sikhanyiso, Seu pai é o rei da Suazilândia)
Se você perguntar a uma criança negra, que tem aulas com professores que não ensinam o que a lei determina sobre a história de seus antepassados ela provavelmente responderá: "os negros vieram no navio negreiro, apanharam muito. Antes de serem libertos criaram leis que foram libertando alguns escravos aos poucos e depois os outros foram libertos pela princesa e fim".
Separam a história do Egito do ensino da África, fazendo o aluno não relacionar o país à história do continente de onde seus antepassados vieram. Pouco explicam sobre ser um continente, se referem como um único país, que só tem fome, mato, calor, muitos bichos e pessoas sem civilização. Não explicam que ter uma cultura diferente da sua não é falta de civilização e que muitos países africanos são globalizados culturalmente. Ah, quando chega a fase de aprender sobre doenças ensinam muito bem. O que é ruim sempre foi muito bem explicado.
Esse ensino mal feito somente prejudica, faz com que a criança negra passe a odiar a cultura do grupo étnico do qual faz parte. Dificulta o entendimento das outras crianças sobre o conceito de diversidade e da história dela como brasileira. Ensinar cultura e história afro não se limita a tocar no assunto apenas nos dias 13 de maio e 20 de novembro. Os diversos assuntos precisam ser inseridos o ano inteiro.
Ela foi estabelecida no dia 17 de junho de 2004. Seu artigo
2 diz: “constituem-se de orientações, princípios e fundamentos para o
planejamento, execução e avaliação da Educação, e têm por meta, promover a
educação de cidadãos atuantes e conscientes no seio da sociedade multicultural
e pluriétnica do Brasil, buscando relações étnico-sociais positivas, rumo à
construção de nação democrática”.
Muitos ainda não compreendem a
importância dessas diretrizes, mas isso está ligado a negação da existência do
racismo no país, ao "esquecimento" da origem das pessoas negras e
afro-descendentes ou da indução por diversos meios que ela se transforme
em uma pessoa de outro grupo étnico. Com as diretrizes podemos
compreender:
Valorização
da consciência política e histórica da diversidade;
Fortalecimento
de identidades e de direitos;
Ações
educativas de combate ao racismo e a discriminações.