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14 de novembro de 2015

Vamos falar de murais escolares? Você retrata todos os seus alunos ou alguns são invisíveis?

       Participei da III Jornada para Educação Étnico Raciais no Museu de Arte do Rio, teve duração de três dias. Assisti várias apresentações de comunicações de professores e pesquisadores com o tema, todas enriquecedoras. 

      Nessa postagem vou destacar a apresentação da professora do Instituto Federal do Maranhão Liliam Teresa Martins Freitas, graduada em Pedagogia pela UEMA, especialista em Cultura Afro-brasileira pela Faculdade Internacional Signorelli, Mestranda em Educação pela UFF. Ela apresentou parte de sua investigação de mestrado intitulada: “A (in) visibilidade de crianças negras em uma instituição de educação infantil". 

      Ela esteve em várias escolas em Codó, no Maranhão, fazendo suas investigações e fotografou diversos murais escolares. A conclusão que chegou foi que para alguns professores, coordenadores e diretores as crianças negras são invisíveis. As paredes das escolas não retratam todas as crianças que estão lá. O que a ajudou chegar nessa conclusão foram às respostas dadas por esses profissionais "nunca percebi", entre outras respostas de mesmo sentido.


      Se a escola está cheia de alunas e alunos negros como ninguém percebeu? Comecei a lembrar de escolas que já estudei, estagiei ou trabalhei. Eu e todos os alunos iguais a mim passamos despercebidos por lá. Tem professor que acha desnecessário esse tipo de observação, mas vale lembrar que é justamente a falta de representatividade nas escolas e TV que faz as atitudes racistas se arrastarem pós-abolição. Se negar a incluir todas as etnias e a mistura que compõe o povo brasileiro pelas paredes das escolas, com desculpa que "criança não liga pra isso" é ser omisso ou conivente ao racismo. 

      Como dizer por aí "somos todos humanos", "somos todos iguais" e se recusar a combater a desigualdade ao mesmo tempo? Falar para uma criança ignorar o que disseram de ruim a ela só faz alimentar o racismo. Isso se chama dar razão ao racista, essa atitude fará com que ele cresça achando que tem o direito de ofender, e que o outro terá sempre a obrigação de superar.  Fazer com que a criança que sofreu o ataque, encontre forças sabe lá de onde para superar faz com que ela pense que tem algo errado com ela, e todos sabemos que não. E escola não é lugar de incentivo ao crime.

      Não fazer a criança negra se ver no local que estuda e se sentir parte dele, atrapalha a criança a fazer seu autorretrato. Quando for solicitado que desenhe a si mesma, ela vai se desenhar de pele branca ou rosada (não existe ninguém cor de rosa só a Pepa), e depois o professor terá a coragem de dizer para os colegas que o aluno "tal" é racista com ele mesmo, sem enxergar a contribuição que deu  para essa situação. Já escutei essa besteira no trabalho. 

      Em uma escola em Minas Gerais um aluno da Educação Infantil se cobriu inteiro de pasta de dente, pois não queria ser negro. Agora pense: como uma criança vai construir sua identidade em um local que diz o tempo todo que ela é invisível? O professor e a escola não têm culpa do que aparece na mídia, mas dentro de sua escola e sala de aula pode fazer a diferença com ações simples, mesmo dentro da correria que acontece no decorrer das aulas.

      Vamos analisar alguns murais que encontrei pela internet, da mesma forma que foi feito na apresentação da professora Liliam. Logicamente que os locais que os produziram não possuem responsabilidade alguma, pois fazem aquilo que seus clientes professores, coordenadores e diretores encomendam. Quando passarem a solicitar personagens negros eles o farão.

Murais de boas vindas
imagem: marcelacristinablogspot

imagem: redenovaescolaclube.org.br
Murais de aviso no banheiro
fonte na imagem

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Murais da creche
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Mural do Dia das mães


imagem: dessiral
Mural do Dia das Crianças


imagem: atividadeseducaçãoinfantil
Mural do Dia dos professores -  Se for a própria professora que fez  retratando ela mesma, não tem problema, mas se for homenagem da escola para suas funcionárias é péssimo. No caso abaixo essa professora só ensina para alunos brancos, assim diz o mural.

imagem: Semect Caldas Novas Go
Mural de Natal
imagem: classeo2doaraporanga
Lembrancinhas
fonte na imagem
    
      Bom, concluímos que em todas essas escolas não tem alunos negros, ninguém percebe a presença deles lá. Pra quem pensa que a Educação sempre funcionou sem precisar desse tipo de observação, resposta: Pensar assim é uma herança escravocrata. Herança do tempo que existiam leis proibindo a presença de negros na escola. 

      Nenhum educador pensa assim eu acredito. Quando fez isso foi por costume. Então vamos mudar e acabar com esse costume! Vamos analisar bons murais que achei na internet:


Murais ideais
Google imagens

fonte na imagem
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      Essa é uma forma simples de trabalhar Educação para Relações Étnico Raciais na escola. Nem sempre é preciso falar, basta representar. Falar da criança negra somente no folclore e na semana da Consciência Negra é o mesmo que dizer a ela que sua presença nas escola só  é bem vinda apenas nas datas comemorativas. 

13 de novembro de 2015

Coleção História Geral da África UNESCO (pdf grátis)

      Esses livros não podem faltar nos arquivos de um blog que tem o objetivo de oferecer uma singela contribuição  no conhecimento e construção de identidade das pessoas. É uma coleção rica, optei em tirar informações dela para construir essa postagem.

Imagem do Ministério da Educação
     
"...a coleção História Geral da África é um grande marco no processo de reconhecimento do patrimônio cultural da África, pois ela permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrônica e objetiva, obtida de dentro do continente..." Trecho tirado do site da Unesco.

      "A África tem uma história. Já foi o tempo em que nos mapas-múndi e portulanos, sobre grandes espaços, representando esse continente então marginal e servil, havia uma frase lapidar que resumia o conhecimento dos sábios a respeito dele e que, no fundo, soava também como um álibi: “Ibi sunt leones”. Aí existem leões. Depois dos leões, foram descobertas as minas, grandes fontes de lucro, e as “tribos indígenas” que eram suas proprietárias, mas que foram incorporadas às minas como propriedades das nações colonizadoras. Mais tarde, depois das tribos indígenas, chegou a vez dos povos impacientes com opressão, cujos pulsos já batiam no ritmo febril das lutas pela liberdade. Com efeito, a história da África, como a de toda a humanidade, é a história de uma tomada de consciência".  Joseph K. Zerbo, Coleção História Geral da África.

Os livros estão em pdf,  fonte de download segura (site da Unesco), basta clicar e salvar.


História Geral da África - I

Metodologia e pré-história da África. 

Pré-história.

"...É preciso reconstruir o cenário verdadeiro. É tempo de modificar o discurso. Se são esses os objetivos e o porquê desta iniciativa, o como – ou seja, a metodologia – é, como sempre, muito mais penoso... "Joseph K. Zerbo. Trecho do livro.


Para download do livro clique aqui.






História Geral da África - II

África Antiga (final do Neolítico em torno de VIII milênio antes da Era Cristã) até o início do século VII da Era Cristã.  Abrange cerca de 9 mil anos) 

Gamal Mokhtar.










História Geral da África - III

África do século VII ao XI

Mohammed El Fasi tendo como assistente I. Hrbek










História Geral da África - IV

África do século XII ao XVI

Djibril Tamsir Niane











História Geral da África - V

África do século XVI ao XVIII

Bethwell Allan Ogot












História Geral da África - VI

África do século XIX à década de 1880

JF. ADE Ajayi














História Geral da África - VII

África sob dominação colonial, 1880-1935

Albert Adu Boahen













História Geral da África - VIII

África desde 1935

Ali A. Mazrui tendo como assistente C. Wondji


2 de novembro de 2015

Palavras de origem africana que falamos em nosso cotidiano

      Pouco nos ensinam sobre as palavras de origem africana presentes na língua portuguesa falada no Brasil. Nos informam de origens francesas (abajur, maionese), inglesas (shopping, freezer) até algumas indígenas (Copacabana, aimoré), mas não falam muito das palavras de origem africana nas escolas. Elas são muitas, que passam despercebidas, algumas usadas no Brasil todo e outras somente em regiões específicas.    
      Somos "África" muito mais do que pensamos (coloquei links no fim do texto com sugestões de atividades escolares para professores).


A
Abadá - Túnica folgada e comprida. Atualmente, no Brasil, é o nome dado a uma camisa ou camiseta usada pelos integrantes de blocos e trios elétricos carnavalescos.
Abará - Quitute semelhante ao acarajé, cujos bolinhos são envolvidos em folhas de bananeira e cozidos em banho-maria.
Acará - Peixe de esqueleto ósseo
Acarajé - Bolinho feito de massa de feijão-fradinho frito no azeite de dendê e servido com camarões secos.
Afoxé - Dança semelhante a um cortejo real, que desfila durante o carnaval em cerimônias religiosas.
Afurá - Bolo de arroz fermentado.
Agogô - Instrumento musical formado por duas campânulas ocas de ferro.
Aluá - Bebida feita de milho, arroz cozido ou com cascas de abacaxi.
Amuo - sm. Mau humor passageiro, revelado no aspecto, gestos ou silêncio, arrufo, calundu. Pessoa amuada.
Angola - Nome dado a uma das mais conhecidas modalidades do jogo de capoeira e também, a um dos cinco países africanos de língua portuguesa.
Angu - Massa de farinha de milho ou mandioca; angu-de-caroço; coisa complicada.
Azoeira - Barulhada, zoeira, bagunça.
Axé - Saudação; força vital.

B
Babá - Ama-seca; pessoa que cuida de crianças em geral, pai-de-santo; a origem é controvertida, sendo, para alguns estudiosos originária do quimbundo, e para outros do idioma iorubá.
Babaca - Tolo; boboca.
Bagunça - Baderna, desordem.
Balangandãs - Enfeites, originalmente de prata ou de ouro, usados em dias de festa.
Bancar - Fazer o papel de, fazer-se de, Sustentar financeiramente. 
Bambambã ou Bamba - Maioral, bom em quase tudo o que faz.
Bamberê - Cantiga de ninar entoada por negras velhas da Região Amazônica.

Bamberê, bamberá,
criança que chora quer mamá. 
Moça que namora quer casá. 
Galinha que canta quer botá. 
Bamberê, bamberá…


Bambolê - Aro de plástico ou metal usado como brinquedo.Banguela – Desdentado; os escravos trazidos do porto de Benguela, em Angola, costumavam limar ou arrancar os dentes superiores.
Banguê - Padiola de cipós trançados na qual se leva o bagaço da cana.
Banguela- Desdentado. Os escravos trazidos do porto de Benguela, em Angola, costumavam limar ou arrancar os daqueles que os escravizavam.
Bangulê - Dança de negros ao som da puíta, palma e sapateados.
Banto - Nome do grupo de idiomas africanos em que a flexão se faz por prefixos.
Bantos - Povos trazidos do sul da África, principalmente de Angola e Moçambique, que espalharam sua cultura, idiomas e modos.
Banzar - Meditar, matutar.
Banzé - Confusão.
Banzo - Tristeza fatal que abatia os escravizados com saudades de sua terra natal.
Baobá - Árvore de tronco enorme, reverenciada por seus poderes mágicos.
Batuque - Dança com sapateado e palmas, ao som de instrumentos de percussão. É uma variante das rodas de capoeira praticada pelos negros trazidos de Angola para o interior da Bahia. No sul do Brasil, é sinônimo de rituais religiosos e, no interior do Pará, é uma espécie de samba.
Berimbau - Instrumento musical, composto de um arco de madeira com uma corda de arame vibrada por uma vareta, tendo uma cabaça oca como caixa de ressonância.
Birita - Cachaça; gole de cachaça.
Bitelo - Grande; de tamanho exagerado.
Bobó - Um tipo de purê feito de aipim ou inhame.
Boca-de-Pito - Pitada; tragada em cigarro, charuto ou cachimbo; disposição para fumar provocada pela ingestão de café ou bebida alcoólica.
Bolor - Vegetação que provoca decomposição em matérias orgânicas.
Bomba - Certo doce de forma cilíndrica ou esférica feito de massa cozida e glaçado na parte superior.
Borocoxô - Molenga. Entristecido.
Bruaca - Espécie de mala ou sacola que se levava no lombo de animais.
Bugiganga - Objeto de pouco ou nenhum valor ou utilidade.
Bunda - Nádegas, na língua falada pelos Bundos de Angola.
Búzios - Conchas marinhas usadas antigamente na África como moedas e, em nossos dias, em cerimônias religiosas e em jogos de previsão.

C
Caçamba - balde para tirar água de um poço; local onde se depositam detritos.
Cachaça - Bebida alcoólica; pinga; durante muito tempo, os negros escravizados, banhados em suor, giravam manualmente as rodas dos engenhos de açúcar e, do vapor originário da fervura do caldo da cana, escorria pela parede e pingava do teto (daí o porque o nome “pinga”) a bebida de sabor clássico, que ardia nos olhos e foi batizada de “pinga”.
Cachimbo - Tubo de fumar, com um lugar escavado na ponta para se colocar o tabaco.
Cacimba - Poço ao ar livre, onde se retém a água da chuva para diversas finalidades.
Caçula - O mais novo.
Caculé - Cidade da Bahia
Cacunda - Corcunda; corcova; costas.
Cafife - Diz-se de pessoa que dá azar.
Cafofo - Lugar que serve para guardar objetos usados; nos dias atuais, serve também para designar moradia pequena, mas aconchegante.
Cafuá - Esconderijo; casebre.
Cafuca - Centro; esconderijo.
Cafuche - Irmão do Zumbi.
Cafuchi - Serra
Cafundó - Lugar distante e isolado.
Cafuné - Coçar a cabeça de alguém. Fazer um carinho.
Cafungar - Fungar; aspirar pelo nariz; cheirar; fuçar; farejar; focinhar; procurar minuciosamente.
Cafuzo - Mestiço de negro e índio.
Calango - Tipo de lagarto do sertão; dança afro-brasileira.
Calombo - Inchaço.
Calunga - O mar; boneca carregada pelas damas do paço nos desfiles de reis e rainhas dos Maracatus de nação em Pernambuco; símbolo da realeza e do poder dos ancestrais.
Camundongo - Rato pequenino.
Candomblé - Casas ou terreiros de diferentes nações – Angola, Congo, Jêje, Nagô, Ketu e Ijexá - onde são praticados os rituais trazidos da África. Religião de origem africana dirigida por um Babalorixá (pai-de-santo) ou por uma Ialorixá (mãe-de-santo). Um dos mais tradicionais é o de Gantois, em Salvador, na Bahia.
Candonga - Intriga, mexerico.
Canga - Tecido com que se envolve o corpo. Peça de madeira colocada no lombo dos animais.
Canjerê - Feitiço, mandinga.
Canjica - Papa de milho.
Capanga - Guarda-costas; bolsa pequena que se leva a tiracolo.
Capenga - Manco; com andar de bêbado.
Capoeira - Jogo de corpo, agilidade e arte, que usa técnicas de ataque e de defesa com os pés e as mãos. As rodas são acompanhadas por palmas, pandeiros, chocalhos, berimbaus e cânticos de marcação.
Carimbo – Instrumento de borracha Marca; sinal.
Carimbó - Tipo de dança afro-brasileira originária da região norte do Brasil.
Caruru - Iguaria da culinária afro-brasileira, feita com folhas, quiabos e camarões secos.
Cassangue - Grupo de negros da África.
Catimba - Manha; astúcia.
Catimbau - Prática de feitiçaria.
Catinga - Fedor; mau cheiro.
Catita - Pequeno, baixo, miúdo. No nordeste, é o nome dado a um ratinho novo.
Catunda - Sertão.
Catupé - Cortejo afro-mineiro. As fardas de seus integrantes são enfeitadas de fitas, sendo que dançam e cantam acompanhados por instrumentos de percussão.
Caxambu - Dança e nome de um tambor grande. 

...Vamos todos na dança do Caxambu, saravá a todos saravá...(Almir Guineto)


Caxangá - Jogo praticado em círculo. Os versos de uma velha cantiga baseada nessa brincadeira, são bem populares.
Escravos de Jó, jogavam caxangá...
Caxixí - Chocalho pequeno feito de palha.
Caxumba - Inflamação das glândulas salivares.
Cazumbá - Negro velho, personagem do Boi- bumbá paraense.
Cazumbí - Alma penada.
Chilique - Desmaio. Ataque de nervos. “Dar um troço”.
Chuchu - Fruto comestível.
Cochilar - Breve soneca. Sono leve.
Congadas ou Congos - Danças dramáticas com enredo e personagens característicos, como reis, rainhas, príncipes, princesas, embaixadores, chefes de guerra e guerreiros que se despedem no final das apresentações cantando: 
“quem tiver mulher e filho se despeça  ...Adeus que eu já me vou..."
Coque - Bater na cabeça de alguém com o nó dos dedos. Tipo de penteado onde o cabelo é todo preso num arranjo único no alto da cabeça; há uma corrente que acredita ser o nome proveniente do inglês “cock”, que significa galo, e outra que associa o nome a barulho que é feito e também ao “galo” na cabeça.
Cubata - Choça de pretos; senzala. Palhoça.
Cuíca - Instrumento musical que emite um ronco peculiar.
Cumba - Forte, valente.
Cumbe - Povoação em Angola.

D
Dendê - Fruto da palmeira, de onde é extraído o azeite.
Dengo - Gesto de carinho
Dengoso - Chorão; manhoso; enfeitado; deslambido; faceiro.
Diamba - Um tipo de erva alucinógena. Ebó – Oferenda feita aos orixás para resolver os mais diferentes desejos e problemas.

E
Efó - espécie de guisado de camarões e ervas, temperado com azeite de dendê e pimenta.
Embalar - Acalentar; balançar; fazer adormecer.
Empacar - Não continuar. Não prosseguir. Diz-se quando o animal firma teimosamente as patas para não prosseguir viagem.
Encabular - Envergonhar-se. Ficar vexado por algum motivo.
Engabelar - Enganar. Iludir jeitosamente. Trapacear. Engodo. Embuste.
Escangalhar - Desordem. Confusão. Desmantelo. Dano causado por estrago.
Espandongado - Desajeitado. Defeituoso. Arruinado. Desarrumado. Relaxado. Descomedido. Arreliado.

F
Farofa - Mistura de farinha com água, azeite ou gordura.
Fofoca - Intriga. Mexerico
Fuá - Briga. Rolo. Desordem. Intriga. Catinga. Cheiro desagradável. Diz-se também do equino arisco.
Fubá - Farinha de milho.
Fuleiro - Reles. Ordinário. Sem Valor. Farrista.
Fulo - Irritado. Zangado. Nervoso.
Fungar - Fazer ruído com o nariz ao inspirar o ar. Assoar o nariz. Coriza na fossa nasal. Fuçar.
Furdúncio - Também pronunciado e escrito como “Fordúncio”, significa festança popular. Divertir-se com alarido. Barulho. Desordem.
Futum - Mau cheiro. Fedor. Peixe morto na superfície da água.
Fuxico - Falar mal dos outros. Artesanato popular feito com pedaços de panos. Costurar superficialmente. Alinhavar. Amarrotar.
Fuzarca - Farra. Desordem. Bagunça.
Fuzuê - Festa. Confusão. Turbilhão nas águas de um rio.

G
Galalau - Pessoa muito alta.
Gambé - Designação de um policial. É uma palavra usada como gíria.
Gandaia - Farra. Bagunça. Vadiagem. Ofício de trapeiro. Pessoa sem préstimo. Inerte.
Ganga Zumba - Título dado aos chefes guerreiros. Um dos mais famosos líderes da confederação de Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, em Alagoas.
Ganzá - Espécie de chocalho.
Garapa - Caldo da cana. Bebida formada pela mistura de mel-açúcar-água.
Geringonça - Coisa malfeita e de duração precária. Objeto ou coisa estranhos cujo
nome e finalidade não se conhece.
Gibi -  Garoto, moleque, fedelho; algo incomum, revista de histórias em quadrinhos, fora do normal: "Não estar no gibi".
Ginga - Bamboleio. Balanço com o corpo. Dançar com o corpo ao som de uma música ou instrumento. Movimento corporal na capoeira, na dança e no futebol. Sacerdotisa do culto Omolocô. Remo que se usa para fazer a embarcação balançar.
Gogó - Pomo-de-Adão. Garganta. Laringe
Gonguê - Instrumento musical semelhante ao agogô. 
Gororoba - Comida malfeita. Comida feita com restos de diversos alimentos. Diz-se também do indivíduo lento, molengão ou covarde.
Grigri - Amuleto que protege o seu possuidor.
Guandu - O mesmo que andu (fruto do anduzeiro), ou arbusto de flores amarelas, tipo de feijão comestível.
Guimba - Parte que resta do cigarro ou charuto depois de fumados.

H
Hã - Interjeição de surpresa, espanto ou de admiração entre os Iorubás. Manifestação
de incompreensão. Não entendimento.

I
Iaiá - Tratamento dado às moças e meninas na época da escravidão. Na Luanda antiga, era o tratamento respeitoso que as filhas e netas dos escravos davam às patroas.
Impala - Espécie de antílope africano. O nome batizou também um modelo de automóvel da Chevrolet.
Implicar – Provocar. Amolar. Intrometer. Contender.
Inhame - Designação comum de um tipo de tubérculo comestível menor que a mandioca; homem de corpo defeituoso. Coisa ou objeto disforme ou deformada.
Iorubano - Habitante ou natural de Ioruba (África).

J
Jabá - Suborno oferecido a programador de emissora de rádio ou televisão para que inclua na programação determinada obra musical. Certo tipo de abóbora.
Jabaculê - Gorjeta. Propina. Dinheiro.
Jagunço - Capanga. Combatente das forças de Antonio Conselheiro na Guerra de Canudos. Cangaceiro.
Jequedê - Dança negra.
Jererê - Nome dado ao cigarro de maconha. Faísca. Centelha.
Jeribata - Álcool; aguardente.
Jiló - Fruto do jiloeiro.
Jongo - Dança tradicional afro-brasileira.

L
Lambada - Golpe dado com o chicote, tabica ou rebenque. Copo ou gole de bebida alcoólica. Dança de salão de origem amazônica. Significa bater, castigar, ferir, atingir com golpe ou pancada.
Lambança - Desordem. Sujeira. Serviço malfeito. Embuste. Trapaça em conversa ou jogo.
Lambão - Indivíduo que não sabe lidar com as coisas sem sujar-se.
Lambuja - Vantagem que um jogador concede ao parceiro ou rival. Aquilo que se ganha ou dá além do combinado.
Lapada - Lambada. Bofetada. Espécie de pá semelhante ao remo.
Larica - Apetite desenfreado após a ingestão da  maconha. Dificuldade. Aperto. Apuro.
Lenga-lenga - Conversa, narrativa ou discurso enfadonho.
Lero-lero - Conversa fiada. Palavreado vazio.
Libambo – Bêbado (pessoas que se alteram por causa da bebida).
Lundu – Primitivamente dança africana.

M
Massangana - Confluência, junção de rios em Angola.Maculelê - Folguedo popular de origem baiana, misto de jogo de dança com bastões ou facões.
Macumba -  Audaz. Ousado. Certo tipo de reco-reco (instrumento musical). Cada uma das filhas de santo nos terreiros de origem Banta. Antigo jogo de azar. Antiga denominação que se dava à maconha. Nome pejorativo dado aos cultos afro-brasileiros.
Macumbeiro - adj. sm. Diz-se de, ou praticante da macumba.
Maluco - Alienado mental. Endoidecido.
Malungo - Título que os escravos africanos davam aos que tinham vindo no mesmo navio; irmão de criação.
Mangar - Zombar. Caçoar.
Mangue - Comunidade geográfica localizada em áreas onde o solo é formado por uma
lama escura e mole. Terreno lamacento.
Mamona - Fruto da família das euforbiáceas. Rícino.
Mamulengo - Fantoche. Teatro de fantoches.
Mandinga - Bruxaria. Feitiço. Talismã. Qualidade de jogo de capoeira.
Mandraque - Bruxaria. Feitiçaria. Mandinga.
Manha – Choro infantil sem causa. Birra. Malícia. Ardil. Artimanha. Habilidade manual.
Maracatu – Certo tipo de dança afro-brasileira. Em Recife/PE, os maracatus de nação representam embaixadas africanas com todo o séquito real.
Maracutaia – Trapaça. Embuste. Engodo. Golpe.
Marafa (o) - Vida desregrada. Licenciosa. Cachaça. Vinho. Diz-se também do tipo de vida, por exemplo: “Viver na marafa...”, viver entregue ao vício da bebida e da vadiagem.
Mano - Irmão. Tratamento respeitoso entre os antigos sambistas cariocas (“Mano” Elói, “mano” Décio etc.).
Marimba - Peixe do mar. 2. Artifício de amarrar uma linha a algum objeto (pedra, garrafa, etc) para resgatar pipas onde não se alcança com as próprias mãos (RJ).
Marimbondo - Certo tipo de vespa.
Matuto - Indivíduo que vive no mato. Na roça. Pessoa ignorante e ingênua.
Maxixe - Fruto do maxixeiro. Certo tipo de chuchu espinhoso. Dança brasileira de salão.
Miçanga - Conta de vidro miúda. Ornatos feitos com esse tipo de conta. Colar. Rosário.
Milonga - Desculpas descabidas. Manhas. Dengues. Mexericos. Intrigas. Feitiço. Sortilégio Bruxedo. Música e dança de origem platina.
Mingau - Papa de farinha de cereais com leite, açúcar e outros ingredientes. Em língua oeste-africana, era um tipo de milho cozido em água e sal. Na linguagem Banta, é o ato de molhar o pão no pirão ou molho.
Mochila - Alforge. Bornal que se leva às costas.
Mocambo - Cabana. Palhoça. Habitação miserável. Couto de escravos fugidos na floresta.
Mocorongo - Mulato escuro. Caipira. Indivíduo natural de Santarém/PA. Palhaço da folia de reis. Mosquito transmissor do impaludismo.
Mocotó - Pata de bovino utilizada como alimento. Tornozelo.
Molambo - Trapo. Pano velho rasgado ou sujo. Roupa esfarrapada. Indivíduo fraco e sem caráter. Corpo velho, cansado, moído.
Molenga - Mole. Indolente. Preguiçoso. Medroso e covarde.
Moleque - Negrinho. Indivíduo irresponsável. Canalha. Patife.
Moqueca - Guisado de carne ou peixe tradicional da culinária afro-brasileira.
Mondongo - Indivíduo sujo e desmazelado. Boneco de pano sem governo.
Mongo - Sujeito bobo. Moleirão. Débil mental.
Moringa - Garrafão ou bilha de barro para conter e refrescar água potável. Cântaro.
Muamba - Cesto ou canastra para transporte de mercadorias. Furto de mercadorias nos portos. Contrabando. Negócio escuso.
Mucama - Escrava doméstica. Concubina. Escrava que era amante do seu senhor.
Mulunga - Árvore.
Munguzá - Iguaria feita de grãos de milho cozido, em caldo açucarado, às vezes com leite de coco ou de gado. O mesmo que canjica.
Muquifo - Lugar sujo e em desordem. Palavra ligada ao Kicongo, significa também latrina. Casebre. Choupana
Murundu - Montanha ou monte; montículo; o mesmo que montão.
Mutamba - Árvore.
Mutreta - Trapaça. Confusão.
Muvuca - Confusão. Algazarra.
Muxiba - Pelanca. Pedaços de carne magra. Retalhos de carne que se dá aos cães. Mulher feia. Bruxa. Seios flácidos de mulher.
Muxinga - Açoite; bordoada.
Muxongo - Beijo; carícia.

N
Nenê – Criança recém-nascida ou de poucos meses. Provém do Umbundo “nene”, que quer dizer pedacinho, cisco.

O
Odara - Bom. Bonito. Limpo. Branco. Alvo.
Orixá - Divindade de religiões afro-brasileiras. Divindade secundária do culto jejê nago, medianeira que transmite súplicas dos devotos suprema; divindade desse religião; ídolo africano.

P
Pamonha - Certo tipo de iguaria derivada do milho. Diz-se também da pessoa molenga. Inerte. Desajeitada. Preguiçosa. Lenta.
Patota - Turma. Grupo.
Pendenga - Litígio. Rixa. Contenda.
Perrengue - Dificuldade ou aperto financeiro. Diz-se também da pessoa fraca. Covarde. Animal imprestável.
Pimba - Pênis de menino
Pindaíba - Falta de dinheiro. Miséria feia.
Pinga - Aguardente extraída do caldo da cana.
Pirão - Papa grossa de farinha de mandioca.
Pito - Cachimbo. Cigarro. Repreensão. Censura. Dar bronca.
Pitoco - Objeto ou utensílio o qual já falta uma parte essencial. Parte amputada ou a restante no corpo humano.
Puita - corpo pesado usado nas embarcações de pesca em vez fateixa.
Puta - Gen. Elemento utilizado para qualificar algo ou alguém como grande ou excelente: Exemplos: “Um puta homem”, “Uma puta casa”; Originário do Quicongo “mbuta” que significa notável, melhor. Também significa a forma apocopada de prostituta.

Q
Queimana - Iguaria nordestina feita de gergelim .
Quenga - Guisado de quiabo com galinha. Mulher prostituída. Meretriz.
Quengo - Cabeça. Região próxima da nuca.
Quiabo - Fruto de forma piramidal, verde e peludo.
Quibebe - Papa de abóbora ou de banana.
Quibungo - Invocado nas cantigas de ninar, o mesmo que cuca, festa dançante dos negros.
Quilombo - Aldeamento de escravos fugidos. Folguedo popular alagoano em forma de dança dramática.
Quimbebé - Bebida de milho fermentado.
Quimbembe - Casa rústica, rancho de palha.
Quindim - Doce feito com a gema do ovo, côco e açúcar. Na Bahia significa também meiguice, dengo, encanto, carinho.
Quitute - Iguaria. Acepipe. Canapé.
Quizila (quizilia) - Ojeriza. Aversão. Implicância.
Quingombô - Quiabo.
Quizumba - Confusão. Briga.

R
Requenguela - Engelhado. Encolhido. Tímido. Fraco. Sem substância.

S
Samba - Nome genérico de um ritmo de dança afro-brasileiro.
Sapeca - Diz-se de moça muito namoradeira ou assanhada. Diz-se também da criança muito arteira.
Sarapatel - Guisado feito com sangue e miúdos de certos animais, especialmente o porco.
Sarará - Alourado. Arruivado.
Saravá - Palavra usada como saudação nos cultos afro-brasileiros, significa “salve”.
Senzala - alojamento dos escravos.
Serelepe - Vivo. Buliçoso. Astuto. Esperto.
Soba - Chefe de trigo africana.
Songamonga - Pessoa dissimulada. Sonsa. Débil. Boba.
Sova - Dar pancadas com a mão. Espancar.

T
Tagarela - Pessoa que fala muito e à toa.
Tanga - Pano que cobre desde o ventre até as coxas.Tango - Dança argentina popularizada no Brasil, proveniente do espanhol “tango” e do Kimbundo “tangu” (pernada), que era uma forma de bailado de negros ao som de tambores e outros instrumentos.
Trambique - Negócio fraudulento. Vigarice. Logro.
Tribufú - Maltrapilho. Negro feio.
Tu - Diz-se do negro tido como sendo bruto. Boçal. Grosseiro. Oposto ao negro bom e passivo; Pode ser também uma redução de Bantú.
“...Este samba/que é misto de maracatú/é samba de preto velho/ samba de preto TÚ...”
Tunda - Surra, Sova, Crítica severa.
Tutano - Substância mole e gordurosa no interior dos ossos.
Tutú - Maioral. Manda-chuva. Indivíduo valente e brigão. Feijão cozido e refogado ao qual se vai adicionando farinha até dar a consistência de pirão. Dinheiro. Grana.
Suborno.

U
Urucubaca - Azar. Má sorte. Diz-se também de uma praga rogada por pessoa inimiga
Urucungo - sm. Berimbau (instrumento musical).

V

Vatapá - sm. Da culinária (comida), iguaria de origem africana, à base de peixe ou galinha, com camarão seco, amendoim etc., temperada com azeite de dendê e pimenta.

X
Xará - Pessoa que tem o mesmo nome que outra.
Xendengue - magro, franzino.
Xepa - As últimas mercadorias vendidas nas feiras livres, mais baratas e de qualidade inferior. Sobras. Coisa inferior.
Xodó - Amor. Sentimento profundo que se demonstra por algo ou alguém. Carinho.

Z
Zabumba - Tambor grande. Bumbo.
Zambi ou Zambeta - cambaio, torto das pernas. zumbi: sm. Fantasma que vaga pela noite, segundo lenda afro-brasileira. Nota: Nome do herói nacional Zumbi dos Palmares.
Zangar - Causar zanga (de zangado). Mau humor. Birra. Irritação. Diz-se também de coisa estragada ou azeda.
Zanzar - Andar à toa. Sem destino.
Ziquizira - Doença ou mal-estar cujo nome não se conhece.
Zoeira - Conhece-se também por Azueira. Algazarra. Falatório.
Zombar - Tratar com descaso. Escarnecer. Gracejar.
Zunzum - Boatos. Cochichos. Mexericos.

Aprendendo:

Vídeo do canal Essa Nossa Língua - Influência Africana no Português.

Máteria retirada do site do Jornal Hoje - www.globo.com/jornalhoje (apenas alguns trechos)

      As palavras podem ser usadas em:
  • Criações de slides
  • Solicitação de pesquisa de imagens 
  • Regiões do Brasil que usam determinadas palavras
  • Vídeos
Sugestão de vídeo de apresentação para uso de professores. Vídeo "Palavras Africanas" do programa Mais Educação. Criado por Leandro Ferreira de Oliveira.

Sugestão de vídeo: Um sopro africano em nosso idioma.
  • Músicas
Sugestão de música brasileira com palavras de origem africanas: Moqueca de Idalina, Nei Lopes.

Fontes das palavras:
https://raizdosambaemfoco.wordpress.com/2015/07/17/palavras-de-origem-africana-no-vocabulario-brasileiro/
http://www.geledes.org.br/palavras-de-origem-africana-usadas-em-nosso-vocabulario/#gs.jxjTMg8
http://www.geledes.org.br/palavras-de-origem-africana-usadas-em-nosso-vocabulario/#gs.zrWyMKQhttp://www.nossalingua.net.br/curiosidades/379/palavras-de-origem-africana

23 de outubro de 2015

A princesa do shampoo Johnson's

      Fui marcada em uma postagem na rede social que parecia tão simples, o comercial do shampoo Johnson's. A propaganda apresenta um shampoo para crianças com um determinado tipo de cabelo. Até aí tudo bem, eles andam vendendo produtos para todos os tipos de cabelos infantis. Apesar de parecer uma fofura, ela se tornou de mal gosto ao apresentar a frase: "Sua princesa com cabelos de princesa". 

      Fiquei pensando sobre o que é ter cabelos de princesa. Fui lembrando das vezes em que ouvi as meninas dizerem que estão se sentindo como uma princesa. São os momentos que estão com um belo penteado nos cabelos ou usando neles fitas, acessórios e turbantes, quando estão perfumadas e com uma roupa que acham bonita. Então cheguei a conclusão que todas as meninas podem ser princesas, todas possuem a beleza da infância e quando se penteiam e se ornam ficam ainda mais charmosas mesmo, elas têm razão.

     Bom, acho que muitas pessoas concordam com esses critérios que determinam o que é um "cabelo de princesa" na visão das meninas. Mas a empresa do shampoo não pensa isso não, segundo o comercial abaixo:

      Fiquei pensando nas meninas de cabelos crespos e ondulados, de cinco e seis anos, que assistiram esse comercial. Lógico que elas não têm idade para saber se estão dizendo que podem ou não ser princesas, isso está no entendimento do adulto. Mas elas estão na idade dos sonhos e fantasias, de querer ser e pertencer. Quando estiverem na escola e o tema da brincadeira for "princesa", as amiguinhas que correspondem ao modelo princesa Johnson's dirão a elas: -Você não pode ser a princesa, você não combina. Os meninos não aceitarão o que, para eles, não é uma princesa de verdade. Aí também incluo os meninos de cabelos crespos e ondulados. Todas essas crianças farão isso com propriedade, pois aprenderam na TV. Para elas tudo o que aparece lá é o correto. Essas meninas começarão a pensar nas mudanças urgentes que precisam fazer nelas mesmas, pensarão que algo está errado e precisa ser corrigido, assim na próxima vez serão princesas.

      Vai ter gente para dizer que as mães delas vão saber lidar com isso muito bem e explicarão corretamente que não tem nada de errado com elas. Bom, ouvir isso é o mesmo que ver adulto sonhando com contos de fadas. As mães dessas meninas também cresceram acreditando que tinha algo errado com elas. Também assistiram comerciais que "explicavam" muito bem seus supostos defeitos. Algumas contarão com a sorte de ter mães que resistiram às informações, mas outras não.

Krespinha esponja de aço 1952 - Fonte O Estado de São Paulo
      Essa propaganda de 1952 é um exemplo. Ela está divulgando uma esponja de aço para lavar louças. É dessa forma que as mães, avós, bisavós das meninas de hoje, cresceram vendo seus cabelos. Só de ver a propaganda, dá para entender o motivo delas acharem os próprios cabelos uma tristeza.       Por causa de coisas assim, como essa aí ao lado, que hoje tem pessoas que usam palavras pejorativas para o cabelo crespo.        Então, essas mulheres tratavam de transformar os cabelos quimicamente para não serem alvos de comentários. Só se viam nas propagandas representadas de forma ofensiva ou eram invisíveis. 


       Quem foi nascendo em meio a isso, de tanto ouvir as pessoas falarem mal nas ruas e TV, cresceu achando normal não ver a beleza do próprio cabelo . O vídeo abaixo é um comercial de shampoo, Colorama da Bozzano de 1976, mostra a invisibilidade dos cabelos crespos e mulheres negras nos comerciais de shampoo.

      Quando a pessoa não se encontra em nada que corresponde ao seu cabelo e a sua etnia, ela começa a achar que o problema está com ela. Então ela tenta transformar isso para se adequar. As soluções eram os produtos químicos. Muitas mulheres com cabelos crespos usavam henê nos anos 70, mas os comerciais desses produtos também não retratavam mulheres semelhantes. Assistam o vídeo do Henê Pelúcia, em 1977,  abaixo:


      A diferença dessas propagandas antigas para as de hoje é que a ofensa era permitida, como na propaganda da esponja de aço, e não retratar todas as etnias do povo brasileiro, como nos comerciais de cabelo, era uma coisa normal. Então eles seguiam ensinando as pessoas negras a não se encontrarem em nada, a não gostarem delas mesmas, a achar que tudo em sua aparência estava errado, a admirar a etnia do outro e a rir de si mesmas. 

     Se os negros encontram dificuldades de questionar sobre isso hoje, imagina na época que o racismo não era considerado crime. Então está explicado porque nem todas as mães dessas meninas conseguirão explicar as suas filhas que elas podem sim ser princesas. Sofreram a mesma coisa na infância.

       As meninas negras do passado cresceram recebendo o seguinte recado através das propagandas das empresas: Você não existe aqui. As de hoje recebem o recado da Johnson's: Você não tem cabelo de princesa.

     Felizmente hoje podemos reclamar, mas ainda não somos respeitadas por todos. Agora virou moda dizer que quem reclama por não ser visto nas propagandas ou por receber mensagens de exclusão, como essa da Johnson's, reclama de tudo. É interessante ouvir: - Ah, antigamente não era essa chatice, hoje não se pode nem mais fazer piada com nada, falar nada que vem essa gente dizer que é racismo! Se você acha engraçado rir de etnias que não são as suas e acha normal dizer às meninas que elas não podem ser princesas, pois seus cabelos não são adequados, sabendo da importância disso na infância, se cuide, tem algo errado com você. Procure um especialista. 

      As propagandas seguem de geração em geração baixando a autoestima das pessoas. Só que a Johnson's não é tão ruim assim. Vale destacar, que a empresa lançou também um shampoo para cabelos cacheados das crianças há pouco tempo e a propaganda foi interessante. Nos EUA, ela atende a todas as etnias do país. Lá suas propagandas são dirigidas a todos. Só aqui no Brasil que ela nos manteve invisíveis por todos esses anos. Essa propaganda abaixo é dos anos 70, nos EUA é claro:
                                                Se alguém me contasse, eu não acreditaria. 

      Não tem problema um comercial ou produto ser destinado a um tipo de cabelo. Cabelos são diferentes, tanto lisos, crespos quanto ondulados. Cada um é cuidado de uma forma. O problema são as frases que excluem e incentivam um grupo de crianças a não gostarem de si mesmas e as outras a não aceitarem as diferenças.  

        Tem gente que adora dizer que alguns negros são racistas com eles mesmos. Só esquecem de dizer os motivos: foram ensinados por anos a serem assim. Foram criados por pessoas que foram ensinadas da mesma forma. Assistiram informações assim a infância inteira, desde que inventaram a TV. Agora esse comercial da Johnson's presta sua colaboração.

         Existiu uma pessoa que já analisava isso, pensava a frente do seu tempo: Malcolm X. Ele deixou muitas mensagens e essa é adequada para o parágrafo acima. Reflitam.


18 de outubro de 2015

História e Cultura Afro-Brasileira na escola, você ensina?

     No dia 09/01/2003, foi sancionada a lei que incluía com obrigatoriedade o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira. Ela entrou no currículo oficial, alterando a lei 9394/96. Depois a lei foi alterada e passou a ser obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena, lei 11.645/08. Mas o ensino afro encontra mais resistência. O que entristece é que a maioria dos professores de todos os segmentos não estão cumprindo. A lei já vai fazer 13 anos em janeiro e tem gente dizendo que é novidade. Alguns alegam que "não encontram material" (a internet está lotada, criem desculpas melhores) e outros não encontram a utilidade.
      
Para os que não encontram "utilidade" vou relembrar uma história velha. Quando os portugueses chegaram aqui, encontraram os índios e, a partir das primeiras instalações das lavouras de cana-de-açúcar, em 1530, começaram a trazer os primeiros negros, precisavam de mão de obra.  Enfim, os brasileiros passaram a existir com a união de três povos. europeu, indígena e africano. Esses três povos e suas culturas formaram o que somos hoje: brasileiros.

      Já ouvi outras desculpas como "temos japoneses, italianos, espanhóis, holandeses e vários outros povos aqui, então temos que ter uma lei pra cada povo". As perguntas a seguir ajudam a refletir na resposta: Eles formaram o que hoje é o povo brasileiro? Correspondem à nossa verdadeira origem? A resposta é não. Quando chegaram aqui, o brasileiro já existia. Alguns até influenciaram nosso povo, mas ao já formado povo brasileiro. E mesmo assim aprendemos sobre eles também, o conteúdo é bem pequeno, mas ainda é maior do que aprendemos sobre as histórias indígena e africana, que são as nossas origens. 

      Ouvi também a falácia "Não tem nada de importante lá na África". Os que dizem isso não conhecem nada sobre e formaram uma opinião sem embasamento teórico algum. Se tivessem, pelo menos um pouquinho, saberiam que os egípcios não eram brancos . Saberiam que o continente africano já tinha sua história há muitos séculos antes dos portugueses chegarem lá. Para todos os que compartilham dessa opinião, vale muito a pena assistir ao vídeo "Os perigos de uma história única" com a escritora nigeriana Chimamanda Adichie. Viu só, já aprendeu que na Nigéria, país do continente África, tem escritores (rsrs).

      
      O povo brasileiro adora repetir as frases "no Brasil não existem pretos nem brancos, somos todos miscigenados", "a única raça que existe é a humana", "somos todos iguais". Essas frases costumam provocar irritação em algumas pessoas e não é por não concordarem com elas, e sim porque se realmente fosse uma verdade que fizesse parte do nosso cotidiano não seria necessária uma lei obrigando que ensinem a história e cultura de 2/3 da composição de um povo e não teríamos PROFESSORES se recusando ou fingindo não saber ensinar. São frases fantasiosas, ditas por quem não quer assumir que ignora a história de um povo e que no dia a dia não vê a diversidade de forma muito harmoniosa. 

      Na escola só aprendemos sobre a cultura européia, a dos índios somente dia 19/04 e muito mal explicada, cheia de estereótipos. Da cultura africana, aprendemos a libertação dos escravos e sobre Zumbi, sempre acompanhadas de muitas tentativas de descrédito, ou seja, não aprendemos nada sobre o povo brasileiro. Pensando em nossa harmonia como um povo, já ouvi um homem dizer: "eu não sou preto (de fato, não era), nem vim da África, não quero aprender sobre isso!". Mas ele é brasileiro e não percebeu que aprendeu somente sobre Portugal e outros países da Europa. E como brasileiro deveria saber sobre todo o povo brasileiro. E querendo ir mais além, onde está o "somos todos humanos e miscigenados"? 

      Tem também os professores preconceituosos, que dizem que não podem ensinar sobre cultura africana, pois sua religião não permite. Dizem que é "macumba". Já começam mal, pois macumba é um instrumento musical, e os nomes das religiões de origem africana são Candomblé e Umbanda. Esses professores terão ou têm, alunos com religiões diversas e precisam aprender a respeitar a religião do outro. Esse desprezo pelo outro vindo deles, contribui com a intolerância religiosa também entre os alunos. O preconceito impede a busca da informação, e faz com que não percebam que o ensino de história africana e afro-brasileira que a lei determina não é  sobre religião. Não sabem que existem literatura africana, filosofia africana, pré-história africana, geografia africana, arte africana... Professor (a) por favor, menos! Pesquisar, aprender para ensinar faz parte da profissão.

Princesa Sikhanyiso
Não só o ensino é afetado. Além de negar aos alunos essas informações, esse tipo de negligência causa transtornos de identidade e baixa autoestima nas crianças negras.
Quando fazia estágio, ouvi a conversa abaixo:

Criança: - Professora, existe princesa igual a mim? 
Professora: - Não, menina. Não disse que os negros eram escravos? Como que escrava vai ser princesa? 
Criança: - Ah, tá! (acompanhada de uma carinha de decepção e constrangimento pela risada das amiguinhas).

Será que se essa criança tivesse uma professora realmente comprometida com o ensino, ela teria essa frustração? Se a professora tivesse interesse em aprender para ensinar, saberia explicar para a criança que na África teve e tem princesas iguais a ela.
(Foto: Princesa Sikhanyiso, Seu pai é o rei da Suazilândia)

      Se você perguntar a uma criança negra, que tem aulas com professores que não ensinam o que a lei determina sobre a história de seus antepassados ela provavelmente responderá: "os negros vieram no navio negreiro, apanharam muito. Antes de serem libertos criaram leis que foram libertando alguns escravos aos poucos e depois os outros foram libertos pela princesa e fim".

      Separam a história do Egito do ensino da África, fazendo o aluno não relacionar o país à história do continente de onde seus antepassados vieram. Pouco explicam sobre ser um continente, se referem como um único país, que só tem fome, mato, calor, muitos bichos e pessoas sem civilização. Não explicam que ter uma cultura diferente da sua não é falta de civilização e que muitos países africanos são globalizados culturalmente. Ah, quando chega a fase de aprender sobre doenças ensinam muito bem. O que é ruim sempre foi muito bem explicado.

      Esse ensino mal feito somente prejudica, faz com que a criança negra passe a odiar a cultura do grupo étnico do qual faz parte. Dificulta o entendimento das outras crianças sobre o conceito de diversidade e da história dela como brasileira. Ensinar cultura e história afro não se limita a tocar no assunto apenas nos dias 13 de maio e 20 de novembro. Os diversos assuntos precisam ser inseridos o ano inteiro.

http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/200/decada-encoberta-302321-1.asp
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.639.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm
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